Ela subiu as escadas desesperada enquanto suas lagrimas caiam ao chão. Perguntava-me se a seguia ou se a deixava ter um tempo só, afinal era eu quem a estava fazendo chorar. Tão tolo, como pude fazer-la chorar? Depois de alguns segundos sentado no sofá decidi subir e ir até o quanto, nosso quarto. Ela estava sobre a cama como um feto, deitei cautelosamente ao seu lado e olhei em seus olhos. Seus olhos de menina, doce como um pote de mel que me transformavam no pior dos ursos sedento de fome. Minha sede pelo seu mel e pela sua vida se tornava tão distante quando o choro fazia seus olhos incharem e ficarem vermelhos. Meus olhos não estavam tão diferentes do dela, também chorava e entre soluços disse o que quase nunca consigo dizer :
- Me desculpe. – disse como uma suplica, como se aquelas palavras fosses o ultimo sofro de vida que me restava. Eram palavras feias com tanto significado, as fiquei repetindo em minha cabeça enquanto ela ainda chorava sem se pronunciar. Me desculpe, me desculpe, me desculpe, me desculpe, me desculpe, me desculpe. Eu gritei comigo mesmo, fui do fundo de minha humanidade para pode dizer outra vez aquelas palavras que agora me tornaram uma criança aprendendo a falar. - Me desculpe. – Ela fechou os olhos e se juntou a meu corpo para me abraçar e depois me soltou, então pude cair. Me senti saindo de sua vida, de seus dias, de suas memórias, de tudo que pudesse ter seu nome. O desculpe não foi suficiente, eu a tinha feito chorar, era eu que derramava cada lagrima. Ela tinha o direito de não aceitar as minhas desculpas.
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